Como equilibrar o TRABALHO e a MATERNIDADE

Desde que as mulheres ingressaram no mercado de trabalho, na década de 70, elas enfrentam desafios. No decorrer da história, tiveram que encarar a sociedade machista, a desigualdade salarial e a discriminação. Alguns desses desafios ainda continuam nos dias atuais, mas um em especial perdurou na história a ponto de ainda hoje “tirar o sono” de muitas delas: equilibrar o trabalho e a maternidade.

Com o avançar dos anos, as mulheres foram conquistando seu espaço no mercado de trabalho, em contrapartida, ser esposa, mãe e dona do lar muitas vezes tornaram-se funções secundárias. Por isso, elas tiveram que lidar com o receio de não dar atenção suficiente aos filhos ou de não conseguir corresponder às exigências profissionais. É como se a dedicação a uma esfera impossibilitasse êxito na outra. Será essa uma verdade?

Você fica o tempo todo se perguntando se está sendo uma boa mãe ao deixar o filho para ir trabalhar?

Apesar de saberem que estão trabalhando para prover os bens necessários à família, para complementar a renda ou até mesmo por realização pessoal, muitas mulheres vivem o dilema acima. Deixar o (s) filho (s) com a babá, com os avós, na escola integral ou até mesmo na creche não parece ser uma tarefa tranquila para as progenitoras. Niedja dos Santos, por exemplo, é assistente acadêmica e mãe de um filho de 5 anos. Diz que equilibrar a rotina é algo trabalhoso. “Deixo meu filho na escola e a minha mãe o busca. Ao largar do trabalho, meu marido o leva para nossa casa”. Se não fosse a ajuda da avó ela teria uma preocupação muito maior. “Há dias em que meu filho pede que eu não vá trabalhar, e explico que mamãe precisa trabalhar para poder comprar presente para ele”, acrescentou Niedja.

Para enfrentar situações como essa, a psicóloga, gestora da Quest Soluções em RH e mãe de 3 filhos, Paula Sarfstein, aconselha as mães a avaliarem suas escolhas. A maioria das mães fica balançada ao término da licença maternidade, e é nessa fase que é mais difícil tomar essa decisão. São muitas questões que devem ser avaliadas desde se é financeiramente viável continuar trabalhando e ter que pagar babá ou uma escola integral, a ter tempo hábil para ficar com seus filhos e poder participar da sua educação e desenvolvimento, considerando inclusive seu próprio futuro e sua realização profissional e pessoal. Paula afirma que o que define se uma mulher é uma boa mãe ou não, não se resume ao fato de ela deixar de trabalhar para se dedicar em tempo integral à sua família, pois se ela não estiver tranquila com essa decisão, possivelmente irá passar esse sentimento para seus filhos. “Trabalhando ou não, ser uma boa mãe depende da qualidade do tempo que se dá à criança, do apoio que é dado mesmo quando não se está presente e do envolvimento que se tem com as diversas situações que seu filho está vivenciando“, disse ainda a gestora.

Abdicar ou Não da vida profissional

Patrícia Honorato, gerente administrativa, é mãe de dois filhos, um de 17 e outro de 4 anos. Ao ter o segundo filho, não teve coragem de deixá-lo nos seus primeiros dois anos de vida. Na época, pediu demissão de uma grande multinacional onde trabalhava e, para dar conta das necessidades financeiras, trabalhou como autônoma. “Eu não teria equilíbrio emocional ao deixá-lo para ir trabalhar, pois queria que ele tivesse uma referência de mãe”, disse a gerente. Após os dois anos, a gerente conseguiu voltar a atuar no mercado de trabalho.

Patrícia Honorato com seus dois filhos

Patrícia Honorato com seus dois filhos

Muitas mães têm a necessidade de se sentir produtivas, todavia, com a chegada dos filhos, abdicam da vida profissional, como é o caso da Patrícia. Mas algumas não conseguem voltar ao mercado de trabalho, e com o passar do tempo e a chegada da maturidade das crianças, chega também a frustração, o que no futuro pode acarretar em cobrança sobre a prole por causa dessa escolha. Todos os riscos devem ser avaliados. É preciso ter cuidado para que aquela sensação de culpa do início não se torne um mar de arrependimento no futuro!

O que dizem as pesquisas

Duas recentes pesquisas indicam que equilibrar carreira e família pode trazer benefícios tanto para as progenitoras quanto para as crianças. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, apontou que mães que trabalham fora são mais felizes e saudáveis do que aquelas que ficam em casa. No Brasil, uma pesquisa realizada pela psicóloga Cecília Russo Troiano com 500 crianças e jovens – metade filhos de mães que trabalham e metade de mães que não trabalham – indicou que os filhos de profissionais são ligeiramente mais felizes e demonstram ter mais orgulho das mães do que dos pais.

Postado em: 25 mai 2015 com 0 comentários e 1.659 visitas

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